Decrescimento na Agenda da Inovação Social

EQUALIS | 23 de março 2021 | Desafios para a Inovação Social de amanhã | Oficinas do Futuro | Editado CR

Decrescimento e inovação social, por Graça Rojão

Vivemos tempos difíceis. Enquanto humanidade seguimos viagem num comboio que segue em direção ao abismo e tomamos medidas que apenas abrandam a sua velocidade. A crise é sistémica: enfrentamos problemas ambientais que colocam em risco o equilíbrio dos ecossistemas; uma crise na justiça onde se cavam desigualdades na distribuição da riqueza; uma crise de reprodução social intimamente ligada à desigualdade de género e uma democracia cada vez mais controlada pelos populismos e pelos estados de alma dos mercados. São crises que se entrelaçam e que não podemos desligar deste sistema neoliberal, que converte as pessoas e toda a natureza em recursos a rentabilizar, sacrificando-os em função de lógicas de acumulação de uma minoria cada vez mais poderosa.  

Viver qualitativamente melhor

Os recursos do planeta são finitos mas o nosso sistema económico funciona como se fossem ilimitados e como se a capacidade de regeneração dos resíduos que lançamos na natureza também fosse infindável. O decrescimento surge como “palavra míssil” que abala a crença no crescimento económico contínuo e desafia-nos a viver qualitativamente melhor, consumindo menos. Propõe uma organização social que funcione dentro de limites biofísicos do planeta, igualdade entre homens e mulheres, justiça social na distribuição dos rendimentos e exige sistemas efectivamente democráticos. O mote é colocar a sustentabilidade da vida humana e não-humana no centro das nossas acções.

A inovação social faz parte daquelas palavras que paulatinamente nos foram sendo roubadas, que foram ressignificadas e que hoje utilizamos com o cuidado de concretizar os fins a que a associamos.

Uma organização social mais justa e ecológica

Para rompermos com a lógica que nos leva a associar bem-estar a consumo, para criarmos uma organização social mais justa e ecológica precisamos de iniciativas concretas, precisamos cada vez mais de inovação social orientada para o bem comum. Será ela que nos pode ajudar a experimentar soluções que abrem novos horizontes, onde haja espaço para a diversidade de práticas de transformação social e para iniciativas alternativas que sejam emancipatórias.

Serge Latouche, um pensador do decrescimento.

Segundo Latouche, é preciso descolonizar o nosso imaginário. Em especial, desistir do imaginário econômico (…) Redescobrir que a verdadeira riqueza consiste no pleno desenvolvimento das relações sociais de convívio em um mundo são, e que esse objetivo pode ser alcançado com serenidade, na frugalidade, na sobriedade, até mesmo em uma certa austeridade no consumo material, ou seja, aquilo que alguns preconizaram sob o slogangandhiano ou tolstoísta de “simplicidade voluntcária

Fotos, © Latouche Nicolas S /Torino e destaque © Coolabora (exempt) EDITADO CR (título, subtítulos e S.Latouche)

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