LEGADO | Comportamentos reflexivos e de cooperação no desenvolvimento regional

EQUALIS | 25 março 2021 | Legado | Desenvolvimento regional e setorial participado

Como podem ser dinamizados processos de “animação e facilitação” de desenvolvimento local e regional tendo por base uma participação dinâmica dos actores de uma região e de uma fileira produtiva, eis uma interrogação que ainda permanece com particular intensidade e pertinência. Existem novas referências tais como o design colaborativo, os dispositivos de co-criação e de “fablabização” das soluções (com prototipagem) e as abordagens territoriais integradoras tipo smart cities ganharam terreno. Mas o que impressiona nesta experiência ReADAPT é a combinação entre extensão e profundidade do processo participativo, terreno sólido visando o empoderamento dos participantes e que vale a pena revisitar. Optámos por transcrever o Resumo do estudo/trabalho e apenas as Conclusões para facilitar uma primeira leitura e abordagem. Mas colocamos á disposição o estudo na sua totalidade no final, que, repetimos, vale a pena ser lido. | CR- Equalis – Editado

Reforço do capital social de um território através de uma abordagem de estruturação da reflexão colectiva em torno dos processos de reconstrução produtiva: o caso do projecto ReADAPT no Concelho da Covilhã

Pedo M. das Neves co-autor com Alexandre Henriques*

As teorias e políticas de desenvolvimento regional sofreram grandes alterações nas duas últimas décadas. Os factores que impulsionam o crescimento económico sustentado já não se relacionam apenas com o capital físico, nem sequer com o capital humano regional. As novas condições de competitividade enfatizam a importância do “capital social”, normas e regras sociais, formais ou informais que promovem a compreensão recíproca e a confiança mútuas entre os agentes da economia da região.

Sistema regional de inovação

Este artigo demonstra a forma como as instituições de uma região se podem organizar em torno dos processos de reestruturação produtiva e encorajar as empresas na região a adoptar normas, expectativas, valores, atitudes e práticas comuns, em suma, uma cultura comum de inovação reforçada pelo processo de aprendizagem social. A acção política dinamizada pela autarquia da Covilhã no projecto ReADAPT, a acção da Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios ao promover as condições que sustentam e levam ao aparecimento de redes ou agrupamentos de empresas com actividades relacionadas nas áreas de maior potencial de desenvolvimento da região, e o estabelecimento de relações entre essas redes e as restantes instituições (centros de formação, universidade, sindicatos, etc.) constituem o chamado Sistema Regional de Inovação deste território.

Papel dos parceiros

Num contexto de depressão económica sectorial e regional, o papel da ANIL e das restantes entidades parceiras assumiu-se como de “animadores e facilitadores” do desenvolvimento. A aprendizagem e a reflexão institucional conseguidas contribuíram também para o que ANIL e as restantes entidades parceiras e o sector público com o qual interagem, tenham adquirido uma nova capacidade de inovação estratégica. Neste contexto, instituições de carácter regional/local assumem-se como um elemento essencial na construção de racionalidades e no condicionamento de comportamentos reflexivos e de cooperação, indicando os caminhos possíveis a seguir aos restantes actores da região.

Em suma, as dinâmicas de associação entre actores regionais são um ingrediente fundamental na receita para o desenvolvimento das regiões, no sentido em que podem ajudar outros a ajudar-se na criação de significados, na construção de capacidade para agir e no suporte à construção de redes através das quais os agentes económicos e sociais podem colaborar em benefício comum.

Palavras-chave: Observatório regional, capital social, cooperação empresarial, desenvolvimento regional, reestruturação produtiva.

Conclusão

As novas políticas de desenvolvimento regional desenvolvem-se em contextos em que a atenção se centra sobretudo na inovação e nas redes de cooperação entre empresas como elementos fortes que devem integrar as acções a empreender pela administração local e suportadas por todas as instituições existentes na região (Cooke et al., 2000; Amin, 1997; Morgan & Nauwelaers, 1999b).

São a acção política dinamizada pela autarquia da Covilhã no projecto ReADAPT (ao fomentar a criação da Marca MontNeve), a acção da ANIL ao promover as condições que sustentam e levam ao aparecimento de redes ou agrupamentos de empresas com actividades relacionadas nas áreas de maior potencial de desenvolvimento da região, e o estabelecimento de relações entre essas redes e as restantes instituições (centros de formação, universidade, sindicatos, etc.) que constituem o chamado Sistema Regional de Inovação deste território.

Um novo conceito

Num contexto de depressão económica sectorial e regional, o papel da ANIL e das restantes entidades parceiras assumiu-se como de “animadores e facilitadores” do desenvolvimento. Esta concepção das associações empresariais, bem como as autoridades regionais/locais como “animadores” significa introduzir um conceito novo que emerge das economias de associação e de aprendizagem.  A chave deste novo conceito não se encontra na escala ou no grau de intervenção de cada actor, mas na modalidade da intervenção na estrutura regional a fim conseguir uma aproximação sistemática e uma interacção eficaz entre todos os agentes.

A tarefa fundamental que corresponde à das associações empresariais, bem como à acção pública, nesta nova geração de políticas de desenvolvimento, é a de criar as circunstâncias, a estrutura formal, as normas informais de confiança e de reciprocidade, em suma, o capital social que é requerido de modo que as empresas, as organizações que as apoiam e as agências públicas sejam capazes de auto-organizar em torno de um processo da aprendizagem regional interactivo. O nível de intervenção regional/local das autarquias e associações empresariais afigura-se como o mais adequado para que estes atributos se desenvolvam, uma vez que é o nível estratégico mais baixo em que é possível sustentar a interacção regular – uma condição chave para a construção da confiança.

Nova capacidade de inovação estratégica

A aprendizagem e a reflexão institucional conseguidas contribuíram também para o que ANIL e as restantes entidades parceiras e o sector público com o qual interagem, tenham adquirido uma nova capacidade de inovação estratégica. Neste contexto, instituições de carácter regional/local assumem-se como um elemento essencial na construção de racionalidades e no condicionamento de comportamentos reflexivos e de cooperação, indicando os caminhos possíveis a seguir aos restantes acto- res da região.

Em suma, as dinâmicas de associação entre actores regionais são um ingrediente fundamental na receita para o desenvolvimento das regiões, no sentido em que podem ajudar outros a ajudar-se na criação de significados, na construção de capacidade para agir e no suporte à construção de redes através das quais os agentes económicos e sociais podem colaborar em benefício comum.

ARTIGO – VERSÃO INTEGRAL

  • Pedro M. das Neves | GLOBAL CHANGE – Consultores Internacionais Associados
  • Alexandre Henriques | Instituto Superior de Psicologia Aplicada

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