Oficinas do futuro | Manifestos, dar escala à Inovação Social

EQUALIS | 14 de fevereiro 2021 | OFICINAS DO FUTURO | Manifestos

Uma das vertentes do projeto EQUALIS radica na elaboração colaborativa de manifestos que constituir-se-ão como sínteses operacionais para guiar ações futuras no campo da Inovação Social.

Vários domínios poderão ser objeto de trabalho, de reflexão. de desenvolvimento e de definição de orientações e iniciativas tais como a aprendizagem ao longo da vida, a imigração e os refugiados, a violência doméstica, a mutilação genital e muitos outros que poderão ter por resultado a produção de manifestos específicos e temáticos no quadro das Oficinas do Futuro.

O texto que se segue foi recuperado da parte conclusiva do texto que Ana Vale desenvolveu sobre o Novo Paradigma para a Intervenção Social. Dele resultam pistas fundamentais para o desenho de um manifesto mais geral, cujo título poderá também ser “Para uma Nova Intervenção Social”.

Promover e dar escala à Inovação Social

“A experiência EQUAL veio provar que a inovação social não acontece por acaso. Ela requer uma cultura e um contexto favoráveis à partilha e à aprendizagem e necessita de condições específicas para ser potenciada, facilitada, concretizada e disseminada, incluindo dispor de um suporte financeiro específico e programático.

Num momento em que se perfilam mais tensões sociais e mais grupos e comunidades no limiar da pobreza a requerer respostas sociais novas e mais eficazes, e mais e melhor cooperação entre os diversos actores, ganha força a ideia de que é missão pública promover a inovação social.

Promover e dar escala à inovação, passa por:

 ¬ dar corpo a este novo paradigma da intervenção social, usando para tal as soluções inovadoras já testadas e disponíveis, bem como os profissionais que detêm as competências necessárias à sua aplicação;

¬ investir em agentes de mudança com ideias fortes e novas, como os “inovadores sociais” ou os “artistas sociais”;

¬ apoiar parcerias e redes colaborativas de inovadores sociais e animar e facilitar o seu trabalho conjunto em áreas de prioridade nacional;

¬ premiar os melhores, não só concedendo apoio financeiro, mas sobretudo reconhecimento social e criando oportunidades para desenvolver pesquisa e novo conhecimento;

¬ facilitar o acesso às tecnologias, em particular da Web 2.0, para que a partilha alargada de informação e conhecimento, faça emergir a inteligência colectiva;

¬ criar consensos alargados sobre cartas de valores e códigos de conduta para a intervenção social, inspirados no novo paradigma da intervenção social;

¬ apoiar a experimentação, o desenvolvimento de novas soluções e modelos de intervenção promissores e fomentar a sua generalização, de forma a criar uma dinâmica de inovação e um movimento de mudança a que todos aspiramos.

A responsabilidade de dar escala à inovação cabe, desde logo, aos conceptores das soluções inovadoras para quem estas têm necessariamente um valor que justifica a sua integração nas suas práticas e um valor de mercado que justifica a sua “venda” a terceiros. Cabe também aos que pretendem melhorar as suas práticas e que podem utilizar as soluções disponíveis sem terem de “reinventar a roda”.

A Administração Pública, local, regional e central tem a responsabilidade de rentabilizar o investimento público realizado na promoção da inovação social e por isso de integrar essa inovação nas suas práticas e na operacionalização de medidas de política cuja execução lhe cabe.

Por último, cabe aos decisores políticos assumir o compromisso com a inovação social, promovendo-a e dando- -lhe escala através da sua incorporação nas políticas e/ou apoiando de forma sistemática e consistente a sua disseminação.

A inovação social conseguida na EQUAL é uma resposta fundamentada que precisa de fazer caminho no nosso país e dar lugar a uma nova forma de intervenção social mais eficaz e mais efectiva, nomeadamente na resposta à crise e na preparação do pós-crise.

É evidente que temos um grande obstáculo pela frente, que é o facto de a mudança ser sentida como uma ameaça. As pessoas individualmente sentem que mudar é uma ameaça. As entidades, a administração pública e, muitas vezes, também os nossos decisores políticos, sentem a mudança como uma ameaça, na medida em que contém em si um grau importante de incerteza.

Mas não temos outro caminho senão procurar e construir essa mudança. E a única forma que temos de ultrapassar o medo é a de nos responsabilizarmos colectivamente por essa mudança.

 E os inovadores sociais estão cá, com todo esse grande capital de responsabilidade e de competências adquiridas, e continuarão, muito certamente, a lutar pela mudança”.

Ana Vale, excerto do texto Um novo paradigma para a Inovação Social, 2010

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